Mais Maquiavel e menos Porter

A competência técnica dos bons profissionais começa a se tornar senso comum. Se compararmos as suas qualificações constataremos que se assemelham muito: Eu falo inglês. Você fala Inglês. Você fala espanhol. Eu falo espanhol. Eu tenho experiência profissional comprovada. Você tem experiência profissional comprovada. Você já atuou em várias empresas de várias nacionalidades. Eu também.
Diante de tantas paridades em relação às habilidades técnicas, o indivíduo tem que buscar o seu diferencial. As boas escolas de negócios oferecem hoje o que há de mais moderno e atual sobre as novas teorias. Todas têm em seus currículos como leitura obrigatória Estratégia Competitiva do guru americano Michael Porter. Se o indivíduo compreender e aplicar corretamente as suas teorias possivelmente terá êxito em sua carreira. Será mesmo?
O que mais observo e ouço são frases do tipo: O meu chefe nunca leu Porter e não vai nem querer ouvir eu falar… As pessoas na empresa são absolutamente indiferentes a divagações teóricas… Em meus planos se eu escrever isto, vão me chamar de teórico pedante… E logo vem a frase: Isto vende? Até mesmos os gringos que adoram o uso de metodologias avançadas já disparam: show me the money…
A palavra execução está no lábio de todos. Pouco se ouve falar em estratégia. Em suma a prática está desbancando a teoria. A síndrome do dia 30 desestabiliza qualquer formulação um pouco mais teórica. E aí vem a frustração de quem consumiu alguns anos do valioso tempo e, sobretudo dinheiro, investindo em capacitação e qualificação profissional e se depara com o ?senso comum? que gravita no mundo dos negócios, em que muitas vezes se expressar de forma conceitual cria um mal estar generalizado. Por outro lado, continuo convencido que uma boa teoria faz bem para uma boa prática.
Não se desespere. Se você detém uma boa carga de conhecimento conceitual, agora só lhe falta entender um pouco mais de política.
Sim, hoje o profissional tem que trabalhar muito mais as suas habilidades políticas do que teóricas. E isto requer um exercício quase que diário: ouvir muito, dialogar sempre, ceder nos seus pontos de vista (muitas vezes) exercer uma capacidade ?confederativa? e, sobretudo, ter um estômago do tamanho de um pântano para engolir muitos ?sapos?. A leitura de O Príncipe de Maquiavel é atualíssima para o mundo das organizações. As idéias desse autor já provocaram muitos protestos ao longo dos tempos, levando, até mesmo, o adjetivo de ?maquiavélico? a tomar conotação pejorativa, que mantém até hoje. ?Diabólico? foi o mínimo que os adversários mais ferrenhos disseram dele.
Exatamente por sua obsessão pela política enquanto prática, O Príncipe não é um tratado teórico, tampouco uma obra especulativa em busca de explicações profundas sobre a natureza dos fenômenos sociais e nem se prende a rígidos critérios científicos. O fascínio de Maquiavel é o fascínio das coisas práticas para objetivos elevados. O Príncipe é um guia para ação. Só que uma ação política. A leitura mais apurada da sua obra nos ajuda a compreender como é o movimento político interno das empresas. Porque pessoas com formação modesta possuem tanto poder, desequilibram forças, e possuem prestígio profissional sem necessariamente ter lido Porter. O inverso também é verdadeiro: quantos profissionais com excelente formação e bom conteúdo acadêmico não conseguem obter sucesso, pela ausência de manejo político no ambiente organizacional. Tom Peter citou recentemente Leiam mais romances e menos livros de negócios. Relações são tudo.
Portanto, anime-se se você já tem uma boa formação, que é parte mais difícil e onerosa, trate agora de estudar a obra de Maquiavel e se aprofundar na compreensão política do mundo dos negócios. Assim, entenderá porque muitos acontecimentos não possuem explicação teórica, mas sim política. Diria Maquiavel: As ações não podem ser adiadas, quando adiadas só trazem benefício para o inimigo!
admin
Responsável pela estratégia de Redes Sociais da Tecnisa, trabalha com internet desde o surgimento da rede, é formado em Propaganda e possui MBA em Marketing pela ESPM.
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Enviado por Roberto Machado
Em 16 de outubro de 2006
Arrebentou Busarello. Essa leitura me foi muito prazerosa e seu ponto de vista é de alguém que enxerga do alto. Um abraço.
Enviado por Guilherme Gomide
Em 17 de outubro de 2006
Grande post Romeo!
Enviado por MariseMaia
Em 19 de outubro de 2006
Bom dia, sou engenheira civil de Joinville-SC, mas resolvi fazer um curso técnico de Gestão de Negócios e minha professora de Empreendedorismo, deu a minha equipe a felicidade de poder conhecer a Tecnisa, além do Sr. Meyer, pelo que pude notar todos os calaboradores são também empreendedores, gostaria de deixar aqui os meus Parabéns a toda equipe TECNISA – Mais Construtora por m².
Enviado por Celso Augusto Forster
Em 20 de outubro de 2006
Respeito, clareza e, especialmentwe, PARCERIA na relação cliente-fornecedor tb seria bem vinda. Mais tranquilidade e confiança na relação ajudam no resultado final. Menos pré-fabricado, mais taylor-made! Insisto, precisamos de mais aulas do mestre Busa! Um grande abraço!
Enviado por Simone Rubin
Em 20 de outubro de 2006
Busarello,
Como sempre ótimo professor.
Parabéns pelo texto.
simone
Enviado por mario silvestre
Em 22 de outubro de 2006
Senti o que lí, … como se fôra uma remissão … e mesmo um bálsamo …
Por vezes já me resignei à desproporcionalidade que quotidianamente enfrento, entre a competência e a eficiência exigída nos resultados pelas lacônicas metas impostas e endossadas nos exemplos dos pseudos gurus e campeões de vendas que se valem das suas técnicas como práticas panaceiadas de sucesso líquido e certo… resumindo tudo a resultados … acabando por deixar o mais competente constrangido da sua insignificância e inutilidade … posto que muitas vezes o sucesso é atingido por vias tortas como a da malandragem, da troca de favores, da esperteza em omitir os pontos fracos por serem deficiências e enfatizar as vantagens como se fossem exclusivas, quando na verdade nada mais são do que obrigatórias …
No fundo é necessário reconhecer, fazer isso chegar a ser uma arte … menor, mas uma arte …
ainda que maquiavélica …
Agradeço e reconheço, sentí-me refletido no escrito … Afinal a arte maior está em utilizar os talentos individuais focadamente, ou seja mais do que nunca e sempre equipe… um por todos, todos por um … em prol do objetivo principal … a empresa.
Grato e parabéns pela sensíbilidade e percepção dos fatos …
Mário Silvestre.
55 27 3227 3399
55 27 3315 2145
Enviado por Rosemeiry Barros
Em 3 de novembro de 2006
Bom dia, adorei o texto e foi muito esclarecedor e me mostrou mais um ponto de vista diferenciado na obra o Principe de Maquiavel…que tem muito a ensinar ainda… no ambito social, economico e claro o político. Parabéns e não deixe de escrever mais…vc tem um ótimo discernimento…
Enviado por sebastiaão
Em 10 de novembro de 2006
´timo texto espetacular
Enviado por Leandro Carneiro Trindade
Em 13 de novembro de 2006
Maquiavel, Sr da maldade e da sabedoria,teremos que conhecer o mal para sabermos diferenciarmos do bem!
Depois de ler O Princepe minha vida tomou outro rumo, foi muito legal conhecer teorias deste pensador.Constumo dizer que Nicole Maquiavel hoje é meu mentor.abraços a todos.
Enviado por JOSE ANTONIO LIMA FILHO
Em 26 de novembro de 2006
Olá! sou universitário em Administração de Empresa, a minha professora de filosofio no incobui de fazer um resumo do livro maquiavel, gostei e fiquei supriendido com as idéias do autor, pois não conhecia.
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