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02 set

Iniciativas de investimento lado a lado com a Educação Financeira

02 de setembro de 2010

Ricardo Pereira

Muito tem se falado nos últimos tempos sobre as iniciativas com o objetivo de incentivar os brasileiros a procurar o mundo dos investimentos, principalmente os investimentos de renda variável (Bolsa de Valores). Nosso dever é apoiar essas iniciativas e brindar as mudanças que elas despertam na população: acreditar e agir de forma a, através dos investimentos, ter condições de encontrar a realização de seus sonhos e objetivos.

O artigo de hoje é uma reflexão, pois algo ainda me incomoda. Observo tudo com otimismo, mas ainda com um pé atrás. Não me tenha como um pessimista ou “chato de plantão”, mas como alguém que convive com uma realidade diferente no contato com as pessoas: a grande maioria da população ainda está “a quilômetros de distância” de se tornar um investidor, ainda mais se considerarmos o mercado de ações.

Muito crédito, consumo e inadimplência em alta

Nas últimas semanas, dados foram divulgados mostrando que a inadimplência aumentou nos últimos meses. Mais cheques sem fundo e mais pessoas no rotativo do cartão de crédito, entrando com força total na roda viva dos juros altos.

As desculpas, ou justificativas como preferem alguns, para esse aumento foram o Dia das Mães e o Dia dos Namorados. Não as datas em si, é claro, mas o exagero nos gastos e o parcelamento das compras realizadas nesses dias. A verdade volta à tona: crédito não é dinheiro grátis e, como sempre, a conta mais cedo ou mais tarde chegará.

Se a inadimplência aumentou, é claro que o diagnóstico não poderia ser diferente. O brasileiro não desenvolveu sua capacidade de poupança, mesmo sendo evidente o aumento de renda e poder de compra da população. Os que estão ganhando mais e melhor estão destinando seus recursos ao consumo, e só ao consumo.

O que se pode fazer, de fato, para mudar essa situação?

Iniciativas de Educação Financeira precisam ir além de práticas que simulem investimentos e mercados. É preciso entender a real necessidade das pessoas. As pessoas precisam de ajuda para colocar as contas em dia e isso não se faz apenas através de discursos e projetos com as melhores intenções; é preciso partir do começo, do básico.

Ninguém esquece as décadas de descontrole econômico. Inflação, dólar, dívida externa são alguns dos termos do dia-a-dia financeiro que criaram verdadeira repulsa em muitos brasileiros. Discutir dinheiro não trazia benefícios, doía e incomodava. Tudo o que estava ligado à economia era visto como extremamente ruim.

Nesse ambiente, as famílias criaram uma barreira enorme para discutir o orçamento financeiro. Criou-se a idéia de que para conseguir comprar algo, só mesmo comprando parcelado e/ou com dinheiro emprestado. Planejar o futuro, a aposentadoria, não valia a pena, pois a inflação destruía o capital guardado e a qualquer hora o plano econômico mudava.

Aprendizado e maturidade

O tempo passou, o Brasil mudou e melhorou. A migração social trouxe oportunidade de consumo para muitos brasileiros e o acesso facilitado ao crédito aproveitou a crença anterior das conquistas por parcelas. Resultado? O brasileiro se perdeu nos controles e caiu de cara nas dívidas.

O desejo de consumir não pode ser maior do que o planejamento, lição simples que precisa ser trabalhada nas escolas, comunidades e empresas. O trabalho nos fundamentos da educação financeira tendem a atrair resultados ainda melhores para as iniciativas de investimento. Porque apenas incentivar os devedores a investir pode ser um tiro no pé, na medida em que eles percebam isso como uma realidade muito distante da sua. Investir que dinheiro? Para quê? Por quanto tempo? Com que banco? Corretora? Como funciona? É seguro?

Mesmo quem já tem uma vida com as contas no azul e hoje consegue poupar em outros produtos tem que estar muito bem informado sobre o que vai encontrar no mercado de capitais. Preocupo-me porque há certa euforia com ganhos rápidos, especialmente nos jovens. Vender a ilusão de riqueza na bolsa é um crime contra o país e todos os avanços que conseguimos alcançar no decorrer do tempo.

Fazendo a lição de casa ao lado da educação financeira

Tome o que aconteceu há pouco tempo como exemplo, quando a crise de crédito estourou. Período em que o Ibovespa despencou e muitos estavam lá apenas baseados nas notícias de sites e revistas especializadas. E isso vai acontecer mais vezes. Assim como períodos de ganhos prolongados também virão.

Para concluir, peço que interprete bem minhas palavras: eu defendo e invisto em ações. É importante que tenhamos esse mercado forte e disseminado, afinal ele representa empresas que apostam no crescimento do país através de sociedades abertas. Nosso universo potencial de clientes para este mercado é enorme, mas precisa ser educado, compreendido e valorizado. Acredito que o aprendizado e a experiência são mais importantes que apenas a componente sorte.

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30 ago

Justiça de SP estabelece entendimentos sobre desistência de contratos

30 de agosto de 2010

Rodrigo Duarte

O Tribunal de Justiça de São Paulo editou recentemente duas súmulas que estabelecem um entendimento sobre questões relativas à desistência do compromisso de compra e venda, documento que vendedores e compradores assinam e que vigora até que o contrato de financiamento ou a escritura definitiva sejam consumados – é o chamado “contrato de gaveta”, que serve de documento lega até a transferência da posse.

Segundo Luiz Augusto Haddad Figueiredo, sócio de Tavares, Haddad e Vanetti Advogados Associados, as súmulas representam a consolidação de entendimento manifestado repetitivamente pelo tribunal. Ele detalha a importância de cada uma:

Súmula 1
O compromissário comprador de imóvel, mesmo inadimplente, pode pedir a rescisão do contrato e reaver as quantias pagas, admitida a compensação com gastos próprios de administração e propaganda feitos pelo compromissário vendedor, assim como com o valor que se arbitrar pelo tempo de ocupação do bem.

Este entendimento, de certo modo, pode fragilizar a força irretratável e irrevogável que se costuma imprimir aos compromissos de compra e venda, desestimulando a exigência de sua execução forçada, uma vez que ao comprador estaria assegurado o direito de pedir a rescisão do compromisso ainda quando inadimplente.

Por outro lado, quando em razão da precária situação patrimonial do comprador não há como exigir o cumprimento do contrato, a sua rescisão e a retomada do imóvel poderão representar a solução menos prejudicial ao vendedor.

A referida súmula, ainda na hipótese de rescisão por inadimplemento do comprador, pacifica a possibilidade de retenção de parte dos valores pagos pelo comprador, a título de compensação pelos prejuízos suportados pelo vendedor (gastos de administração e propaganda e tempo de ocupação).

Embora o enunciado não aponte um percentual máximo de desconto (o que tem sido fixado em torno de 20%), o entendimento afasta, ao mesmo tempo, a possibilidade de restituição e de perda total das parcelas pagas.

Súmula 2
A devolução das quantias pagas em contrato de compromisso de compra e venda de imóvel deve ser feita de uma só vez, não se sujeitando à forma de parcelamento prevista para a aquisição.

Conquanto este entendimento já esteja bem disseminado entre os magistrados, a súmula busca colocar um ponto final na discussão sobre a forma de devolução das parcelas pagas em compromisso de compra e venda de imóvel. O momento de devolução será o mesmo do distrato ou da rescisão.

Ressalvada a necessidade de se refletir mais detidamente sobre o conteúdo das súmulas, a iniciativa de uniformizar o entendimento do Poder Judiciário deve ser aplaudida.

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26 ago

Financiamento para a compra da casa própria cresce 77% no primeiro semestre

26 de agosto de 2010

Rodrigo Duarte

O financiamento imobiliário com recursos das cadernetas de poupança atingiu no 1º semestre de 2010 o melhor resultado da história: no período, foram concedidos empréstimos de R$ 23,8 bilhões, 77% mais do que no 1º semestre do ano passado. Foram financiadas 187,6 mil unidades, 51,5% acima do resultado do primeiro semestre de 2009. O número de unidades financiadas subiu de 123,9 mil, nos primeiros seis meses de 2009, para 187,6 mil, de janeiro a junho deste ano, um crescimento de 51,5%.

Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). As projeções da entidade para este ano apontam para o financiamento de 450 mil unidades, no montante de R$ 57 bilhões – nos últimos 12 meses, até junho, as operações atingiram R$ 44,4 bilhões. Também foi muito favorável o comportamento das cadernetas de poupança, com captação líquida de R$ 3,6 bilhões, em junho, e de R$ 8,8 bilhões, entre janeiro e junho de 2010.

Apenas em junho deste ano, os financiamentos somaram R$ 5,27 bilhões, montante 78% superior ao resultado de igual mês de 2009 (R$ 2,96 bilhões) e 24% acima das contratações de maio de 2010 (R$ 4,25 bilhões).

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24 ago

Brasileiros vivendo mais e com mais dinheiro

24 de agosto de 2010

Ricardo Pereira

Apesar de não haver consenso, parece claro que todos querem viver muito. Mas, diante das mudanças ocorridas na sociedade, parece-me que mais importante do que viver muito é viver bem, com qualidade de vida e saúde. A pesquisa anual do IBGE em 2009 sobre mortalidade e expectativa de vida mostrou que os brasileiros tiveram aumentada sua expectativa de vida. Em uma década, ela passou de 69 para 72 anos.

Trata-se de um claro sinal de melhora em muitos aspectos, com avanços consideráveis nas áreas sociais, econômicas e médicas – principalmente na última década. Se por um lado a noticia é animadora, por outro nos leva a uma reflexão indispensável: do ponto de vista financeiro, como os brasileiros estão se preparando para viver mais? Ou não estão?

Sem pensar muito, respondo que infelizmente não, não estão. A grande e esmagadora maioria não parece nem ao menos disposta a entrar nessa discussão. Um número grande de cidadãos parece contente com a expectativa de “subsistir” à base de uma Previdência que, hoje em dia, já é deficitária e insuficiente para garantir a vida com qualidade. Poucos têm disciplina para, desde já, dedicar parte de seus investimentos para o longo prazo.

Já falamos anteriormente de pesquisas que apontam que apenas 1% dos aposentados vivem de forma plena, sem ter que continuar trabalhando ou depender da caridade de amigos ou parentes.

Planejamento: a arma de sempre

Eu penso em conquistar a aposentadoria todos os dias, economizando e, principalmente, planejando o meu futuro e aonde quero chegar. Ai encontro outro engano comum: considerar a aposentadoria como uma época de baixa produtividade, onde o dia consiste em permanecer no sofá assistindo TV. Se esse for seu ideal de aposentadoria, melhor rever seus conceitos.

Vivendo mais, o aposentado pode e deve compensar o período de muito trabalho com viagens, dedicação a projetos pessoais, atividades sociais, a cultivar um hobby, doar mais tempo aos netos e pessoas queridas da família, a colaborar com a sociedade etc. O aposentado financeiramente independente faz só o que gosta, mas está longe de estar parado.

Qualidade de vida e poder de escolha

E para que as atividades acima sejam concretizadas, (guardar) dinheiro é fundamental. É claro, se você for uma pessoa de muita sorte, pode passar a vida toda arriscando a aposentadoria e não ver muitas diferenças. Mas a probabilidade de isso acontecer é pequena, bem pequena. Sorte é importante, mas prefiro usá-la de maneira diferente, através de meu esforço próprio e não na base da loteria. Prefiro “correr atrás dela” a esperar que ela venha em um “bilhete” premiado.

Seja mais agressivo em torno de seus pensamentos sobre o futuro. Ele chega. Por mais que tenhamos mais tempo para viver, não podemos deixar para amanhã ou depois as atitudes que precisamos tomar agora. Faça, atualize seu orçamento financeiro e cumpra-o. Chega da promessa antiga de que a partir de segunda-feira você iniciará seu controle. É hora de agir!

Quando você vai querer se aposentar?

No meu caso, a partir dos 55 anos quero trabalhar apenas por prazer! Ufa, felizmente posso falar que já trabalho por prazer. Mas, a partir dos 55 anos quero fazer exclusivamente o que minha vida de aposentado permitir. Isso porque hoje o trabalho ainda consome grande parte do meu tempo; quando me aposentar, a diversão virá em primeiro lugar, coisa que apenas a independência financeira poderá me propiciar.

Não tenha medo do futuro

Viver intensamente os próximos anos é a melhor garantia de que estarei bem quando me aposentar. Nas próximas décadas, a expectativa de vida aumentará ainda mais – ela ainda é baixa se comparada a muitos países desenvolvidos ou em desenvolvimento com características semelhantes.

Estarei tranqüilo e não viverei na expectativa e luta por aumentos irrisórios (e que não virão) na Previdência Oficial. Tive a chance de valorizar e implementar a educação financeira em minha vida, e tudo se modificou. A nova geração, público predominante deste blog, tem a chance de transformar também sua vida. Absorva, coloque em prática e compartilhe esse conhecimento. E tenha uma vida longa e rica. Sucesso!

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18 ago

Endividados e sem planejamento: uma estatística que preocupa

18 de agosto de 2010

Ricardo Pereira

Na última semana fomos surpreendidos por  dados que mostraram que a inadimplência está aumentando, mais cheques sem fundo e principalmente mais devedores padecendo da má utilização do cartão do crédito.

O crédito uma ferramenta tão importante parece ser banalizada e não é encarada como um beneficio, pois está levando o brasileiro para uma situação crítica que trás risco a toda sociedade.

O que está errado?
Mais uma vez percebemos que o brasileiro mergulhou de cabeça na vontade de consumir, sem planejar, e com um  dinheiro que ele não tem. Percebemos que nos últimos anos, a mídia e o próprio governo bateram forte na tecla do consumo e de que existiam condições plenas para bancar a compra de bens como automóveis, eletroeletrônicos, eletrodomésticos etc.

O consumo foi de certa forma positivo, porque conseguiu fazer com que o país atravessasse bem o pior da crise – o consumo interno foi o responsável por essa constatação. Entretanto, cabe alimentarmos um pouco mais esse debate, pensando não nos números apresentados acima, mas principalmente nas conseqüências que isso pode trazer, não só para as pessoas que entraram nesse apelo do consumo sem critério, mas para toda a economia brasileira.

Perguntas que preocupam
• Será que essas pessoas conseguirão arcar com o pagamento dessas dívidas?
• Será que criaremos uma bolha que, mais cedo ou mais tarde, irá estourar em razão da inadimplência que poderá aumentar?
• O brasileiro parou para mensurar que, mesmo o crédito sendo farto e fácil, ele é extremamente caro e que a adesão, mesmo nessa situação, só incentiva a manutenção de taxas altas e insensatas?

São muitas perguntas que podem representar apenas um medo exagerado de alguém que preza muito a independência financeira ou até mesmo verdadeiro possível problema. De forma geral, ainda estamos aprendendo muito – mas devagar – quando o assunto é o planejamento para aquisição de bens e construção de patrimônio. Continuamos na mesma cultura ultrapassada de que para conseguir algo existem os boletos, os pagamentos a perder de vista e os financiamentos.

Aproveito e faço um apelo para que todos que tenham a oportunidade de ler esse artigo: transmitam aos amigos o beneficio de comprar com critérios, negociando e, sobre tudo, planejando. Não deixem seus amigos aderirem facilmente às idéias de mega promoções ou outras artimanhas que são lançadas todos os dias pelo mercado para favorecer as vendas a crédito. Pregue a utilização do crédito desde que exista um planejamento.

Sonho ou pesadelo?
Creio e pratico que para conseguir algo é preciso criar condições, afinal não desejo transformar sonhos de consumo em pesadelos relacionados ao endividamento. A vontade de ter algo precisa ser alimentada todos os dias e esse é o segredo para o inicio do planejamento. Exerça essa conquista diariamente, com preparo e muito calma,  e isso mostrará se seu objetivo é realmente verdadeiro. Se não for, você rapidamente desistirá dele e pelo menos não entrará na roubada de comprar algo com o dinheiro dos outros.

Se você é alguém que faz parte dessa estatística do endividamento, é hora de mudar a situação e não cair mais nessa armadilha. Errar uma única vez já é mais do que suficiente quando o assunto é  dinheiro. Mude de postura, comece a poupar e passe a comprar à vista e com desconto. Radical demais? Ora, valorizar o dinheiro é também aprender a lidar com seus limites e com a frustração. Se não tiver dinheiro, não compre. Dívidas, nunca mais!

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