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01 fev

Consequências econômicas das mudanças climáticas

01 de fevereiro de 2012

Ricardo Pereira

As mudanças climáticas ocasionadas pelo aquecimento global passaram a vigorar com grande visibilidade na mídia e em fóruns de discussões. Seus efeitos começam a ser sentidos em grande parte do mundo. As conseqüências para a economia obrigarão o homem a inventar um novo modelo econômico e de negócios. E terá que ser rápido! O aquecimento global pode provocar estagnação, desaceleração do crescimento econômico e elevação de preços em todo mundo.

Economia versus clima

Uma das primeiras e mais drásticas conseqüências será o aumento do protecionismo global, trazido com o aumento das regulamentações que os países (principalmente os desenvolvidos) serão obrigados a fazer com objetivo de frear as mudanças climáticas. Isso trará aos países muitas dificuldades para exportar seus produtos. Veremos uma roleta em que todos aumentariam suas barreiras comerciais para proteção da indústria local.

Certamente, os países em desenvolvimento serão os mais afetados, sobretudo porque desastres naturais e as doenças causadas por essas possíveis mudanças tenderão a ocorrer em regiões com menor poder econômico e infra-estrutura.

Agricultura

Sem dúvidas, o setor econômico que será mais afetado será o agropecuário, pois depende de condições especiais como temperatura e precipitação. Para se ter uma idéia do problema que se desenha, nos últimos sete anos a temperatura em São Paulo subiu 1ºC. Se a elevação chegar a 3ºC, não será mais possível plantar café no estado.

As previsões são de aumento não apenas na média da temperatura, mas também em sua variância. Por isso, a incidência de eventos extremos deve aumentar. Verões e invernos muitos chuvosos ou extremamente quentes são algumas das possíveis consequências. Essas oscilações terão diferenças regionais e, justamente por isso, levarão à uma nova divisão no mapa da produção agrícola.

Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) indicam um possível maior prejuízo em regiões onde a temperatura alta já é uma constante, como é o caso das regiões Norte e Nordeste. Fica evidente, por esse estudo, um deslocamento de cultivos que não suportam temperaturas muito altas, migrando para regiões como Sudeste e Sul.

No semi-árido nordestino, a questão das secas tende a ficar pior, pois a elevação da temperatura tornará a região ainda menos chuvosa. Os agricultores, que vivem da agricultura e de lá tiram sua alimentação, serão os principais afetados por essa realidade. As condições de vida nessas áreas rurais se tornarão praticamente inexistentes. A tendência, com essa situação, é de que os moradores dessa região aumentem a dependência de programas de assistência social para manterem condições mínimas de vida na região.

Infraestrutura

As mudanças previstas alteraram de forma significativa o regime de chuvas. Estando as previsões corretas, as atividades relacionadas aos corpos hídricos serão afetadas. Quando falamos em hidroeletricidade no Brasil, imediatamente nos vêm à mente os grandes problemas de energia que temos no país. Ocorrendo a redução das chuvas, teremos problemas sérios na geração de energia. Não haverá outro caminho que não o aumento de investimentos em saneamento, a fim de evitar transbordamento dos sistemas de captação e tratamento de esgoto em casos de cheias.

Provavelmente, teremos que expandir a capacidade da construção civil, pois o aumento de catástrofes climáticas resultará em maior número de acidentes – inundações, deslizamentos, erosões – cuja prevenção irá exigir obras significativas e de custos muito elevados.

Ainda falando em aumento da demanda de construção civil, temos como certa a elevação do nível do mar. Esse fenômeno levará ao reassentamento de populações costeiras, originando um novo desenho geográfico nessas áreas. Os efeitos dramáticos deverão ocorrer nas regiões próximas aos deltas de rios e outras áreas que já sofrem hoje com variações consideráveis de maré.

Demais setores

Fica fácil prever que alguns setores estarão no cerne do problema. Um dos principais será, sem dúvidas, o da saúde, pois teremos aumento doenças relacionadas ao calor e chuva, como a dengue. Com a diminuição da camada de ozônio, o aparecimento de câncer de pele também se tornará mais comum. As conseqüências das enchentes, como leptospirose serão uma constante. A falta de água tratada e a coleta de esgoto ficarão comprometidas, aumentando os riscos e mais problemas de saúde.

O mercado de seguros tenderá a sofrer um baque significativo, pois os casos de sinistro por ventania, furacões e enchentes tendem a aumentar. O mercado de turismo sofrerá alterações de destino consideráveis principalmente nas áreas de costa, que concentram o maior número de turistas. Imaginem os prejuízos para resorts, hotéis, restaurantes etc.

Combustíveis renováveis

O Brasil está na vanguarda quando se fala em tecnologia de combustíveis renováveis de origem vegetal, principalmente o álcool combustível (Etanol). Percebe-se que internamente ainda existe espaço para o crescimento da participação desse tipo de combustível, principalmente se o preço do petróleo se mantiver elevado e o governo federal mantiver o biodiesel como prioridade (mesmo com a entrada em pauta da extração de petróleo da camada pré-sal). Porém, as expectativas de crescimento da demanda de bicombustíveis ainda são motivadas principalmente pela crença no aumento das exportações para países desenvolvidos, será?!

Entretanto, se não tomarmos cuidado, a produção em larga escala da produção de bicombustíveis poderá ser um tiro no pé, pois ela precisará de aumento considerável nas áreas de cultivo, muitas vezes facilitadas até por incentivo do governo (exemplo: apoiar a produção familiar, através do programa do biodiesel). Essas ações poderão acelerar o desmatamento, que aumentaria o aquecimento global, ao invés de reduzi-lo.

Imaginemos ainda que boa parte dos agricultores passe a produzir a cana de açúcar ou a mamona. Como ficaria a produção de alimentos? Pode-se dizer e presumir que os preços dos alimentos terão significativos reajustes com a queda na sua oferta. Recentemente temos percebido no bolso que o etanol está muitas vezes mais caro que a gasolina.

Conclusão

Com o crescimento da “sociedade de consumo”, a expansão tecnológica e graças ao avanço da medicina, ocorreu um enorme crescimento populacional e impacto na ampliação da expectativa de vida. Para garantir a produção de alimentos, o campo foi ocupado intensiva e extensivamente por grandes projetos agropecuários. Em conseqüência, houve também um rápido aumento da taxa de urbanização, com a formação de verdadeiros formigueiros humanos nas grandes cidades (favelas, cortiços etc.).

O uso inconseqüente dos recursos naturais trouxe resultados como a desertificação do solo e as alterações climáticas, que nos levaram ao ponto muito próximo do esgotamento dos recursos do planeta, demonstrando futura incapacidade de suprir demandas por insumos tradicionais. Especialistas acreditam que o homem esteja utilizando cerca de 1/3 dos recursos além do que a natureza pode lhe oferecer com bases sustentáveis.

Como será o mundo daqui a poucos anos quando o planeta tiver mais meio bilhão de pessoas?
Estaremos vivenciando uma situação crítica, ainda que até lá consigamos preservar tudo o que temos de recursos naturais alocados na produção de gêneros e bens na tentativa de garantir um mínimo de qualidade de vida. O mundo, vivendo forte crescimento econômico, tem provocado um pesado revés ambiental. A escassez de recursos naturais irá provocar uma forte retração no crescimento das economias regionais. A natureza, invariavelmente, dará o troco.

Precisamos consumir diferente, pensar diferente, viver diferente. As pequenas ações no dia-a-dia é que fazem, e farão a diferença!

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26 jan

Pequenos detalhes, grandes oportunidades

26 de janeiro de 2012

Ricardo Pereira

Existem muitas pessoas que me procuram com uma série de dúvidas, buscando uma forma de colocar em ordem sua situação financeira. Muitos recebem grandes salários, mas ao mesmo tempo são grandes gastadores e quase não investem ou pensam nos dias que têm pela frente. Assim, acabam desperdiçando a chance de construir um futuro mais rico e feliz. Por que? Será que é difícil?

É obvio que felicidade não se constrói exatamente pelo poder aquisitivo, mas não podemos fechar aos olhos aos problemas por ventura causados pela falta de um bom patrimônio, especialmente se pensarmos na velhice. Todos querem progredir na vida, o que jamais pode deixar de ser um sonho. Mas o que fazer, hoje, para alcançar este objetivo o mais rapidamente possível?

De olho nas oportunidades

Cortar despesas é a melhor forma para acumular patrimônio. Ao cortar gastos, podemos poupar e adiar o consumo a fim de propiciar um futuro melhor. Poupar hoje pode ter um significado doloroso – afinal nunca é fácil abrir mão do agora, do consumo – mas a chance de aproveitar um futuro melhor e ter mais dinheiro pode fazer a diferença. Pense nisso.

Quanto e como investir?

Antes de começar sua fase de acumulo de capital e patrimônio, o importante não é quanto e como, mas sim a criação e manutenção de uma cultura poupadora. O melhor momento é o agora e poupar precisa se transformar em um hábito. A idéia central é a de que um investimento trabalhará sempre a seu favor, certo?

Se não sobra dinheiro para poupar e investir – ou se, na melhor das hipóteses, sua receita empata com as despesas – preste atenção, pois suas finanças pessoais estão com sérios problemas. É hora de investir em educação financeira.

Faça seu próprio café da manhã

Se você está acostumado a comprar um pingado ou cafezinho preto e um pão na chapa na padaria da esquina do serviço, melhor fazer as contas. No final do mês, somando cada R$ 3,00 que você gasta por dia, são R$ 60,00!!

Leve comida de casa ou encontre uma refeição mais barata

Já calculou o quanto você gasta com refeições mensalmente, no trabalho ou na escola? É um valor considerável. Comece a preparar e levar sua própria comida. Além de ser mais barato, você pode aproveitar para melhorar sua alimentação escolhendo o que vai comer, ao invés de ficar sempre naquele arroz e feijão dos restaurantes.

Se não tiver jeito, então ache uma refeição mais em conta, um restaurante não tão caro, divida a bebida com um amigo. Multiplicando a economia por 20 (número médio de dias trabalhados no mês) você terá economizado uma boa grana.

Some todas as suas despesas com lazer e diversão

Quando você olha para cada gasto separadamente, ele provavelmente parece pequeno, não passando dos R$ 15. Vá somando todos eles e você verá como está gastando bastante. Junte o preço da TV a cabo, internet, cinema, shows, etc e veja o que acontece. Talvez seja hora de repensar seus gastos. Diversão é importante – ninguém pode ou deve viver sem – mas seja inteligente e controle melhor seu orçamento. Saiba aproveitar sempre as melhores oportunidades.

Compre em promoções

Aproveite as promoções! Se o produto que você quer está mais caro do que o normal, não esquente e deixe de comprá-lo. Pelo menos por enquanto. Tenho certeza de que logo ele aparecerá com desconto. Enquanto isso compre o que estiver mais em conta. Você não vai morrer por causa disso!

Ah, claro, não compre o produto só porque ele está em promoção. Compre só aquilo que realmente precisar, de preferência em boas promoções.

Uma boa opção para organizar seus gastos é utilizar envelopes. Separe, no inicio do mês, o que irá gastar para cada despesa e coloque os montantes em seus respectivos envelopes. O que sobrar no fim do mês será um excedente para seu investimento, que já deve estar separado também. É simples e ajuda a evitar a perigosa contabilidade mental.

São sempre as dicas mais simples as que facilitam o “esforço” momentâneo capaz de garantir um futuro próspero. Para quem ainda duvida da força que pequenos atos como estes podem significar no aumento do patrimônio pessoal, façam o teste. Disciplina é a chave, sucesso financeiro o resultado. Até a próxima.

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18 jan

Gerente de banco: mocinho ou vilão?

18 de janeiro de 2012

Ricardo Pereira

Poucos dias atrás, conversando informalmente com uma amiga, de vida até certo ponto estruturada, renda alta e com certo planejamento financeiro, decidi questioná-la sobre sua maneira de lidar com investimentos. A resposta foi rápida e com ar de muita confiança:“Não me envolvo com os investimentos. Minha gerente do banco resolve tudo para mim”. Que? Como assim?

Na hora, preferi não dar sequência na conversa, mas imediatamente surgiu em minha mente a seguinte questão: Será o gerente do banco capaz de resolver todos os problemas de quem abre mão de acompanhar de perto a gestão de sua vida financeira?

Gerente, vendedor ou consultor?

Muitos que, como minha amiga, delegam plenos poderes ao gerente de sua conta confundem a verdadeira função desse profissional. O gerente do banco não é um consultor financeiro pessoal, mas sim um profissional com grande conhecimento de “como”, mas sem muito interesse pelo “por que”.

Em outras palavras, eles vendem bem o produto do banco, mas nem sempre se preocupam sobre sua adequação à sua situação financeira. Ao não perceber essa diferença, corre-se o risco de assinar e participar de péssimos negócios.

Quase todas as recomendações do gerente atendem aos interesses do banco. Afinal, ele é um vendedor e, como tal, trabalha e é recompensado a partir de metas a serem alcançadas.

Quer um exemplo básico do quanto os interesses do banco estão sempre em primeiro lugar? Que tal os constantes apelos feitos para que compremos os tão conhecidos títulos de capitalização?

Teste bem o seu gerente

Acredito, claro, que existam profissionais que fujam à regra, que aconselhem e apresentem boas sugestões aos seus clientes. No entanto, tais exemplos são mais raros. Repare na situação abaixo, que passa despercebida aos olhos de muitas pessoas:

Os juros aplicados sobre a utilização do cheque especial são muito altos. O consultor financeiro, compromissado com seu cliente, certamente recomenda outros meios de obtenção de crédito, com juros menores. O gerente do banco, quase sempre, se cala.

Os gerentes bancários são bons no relacionamento, mas pecam por mantê-lo superficial demais.
Já conversei, por diversas vezes, com gerentes que não sabiam explicar os tipos de fundos e produtos de acordo com perfis diferenciados de clientes. Conhecem o produto, mas ignoram o universo trazido à tona pelos clientes.

Ao confundir o trabalho do gerente com o do consultor, você corre o risco de investir seu capital em um fundo conservador demais (e com alta taxa de administração), já que a maioria dos profissionais do banco preferem usar a caderneta de poupança como benchmark. Vencer a poupança não é nenhum mérito, portanto preste bastante atenção quando for negociar seu futuro financeiro.

Tarifas, um negócio à parte.

Os bancos brasileiros faturam horrores com as mais variadas tarifas e serviços. Muitas vezes, eles escondem tarifas em seus serviços, que somente serão notados bem mais tarde, quando já é tarde demais. Com o objetivo de coibir essa ação, surge o CET – Custo Efetivo Total. Será que vai funcionar? Já vi que muitas tarifas estão sendo reajustadas antes da medida entrar em vigor. Enfim.

Um gordo saldo em sua conta e uma boa dose de pró-atividade podem facilitar sua relação com as tarifas. Se você não se mostrar presente no dia-a-dia de suas finanças, não adianta esperar nenhum tipo de ação do banco para facilitar sua vida.

Aliás, só há um verdadeiro vilão das finanças: o descaso e a falta do comprometimento pessoal, da vontade de investigar e discutir amplamente as possibilidades que uma economia estabilizada (mais ajustada) propicia. A culpa é sua. Minha. Nossa. Valeu o debate? Até a próxima.

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16 jan

O Brasil do presente e do futuro: a sexta maior economia do mundo

16 de janeiro de 2012

Ricardo Pereira

O ano de 2011 se encerrou com a notícia de que o Brasil alcançou o posto de sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido, conforme matéria publicada pelo jornal “The Guardian”. Como não poderia ser diferente, a notícia foi recebida com entusiasmo por parte do governo e com algumas críticas por boa parte da sociedade – que nos fez lembrar que ainda possuímos graves problemas em diversas áreas como educação, saúde, infraestrutura, saneamento básico, entre outras.

O Brasil mudou e mudará ainda mais em 20 anos

O ministro Guido Mantega foi rapidamente a público afirmar que o Brasil levará pelo menos 20 anos para alcançar o mesmo padrão de vida europeu. Isso, é claro, se mantivermos o mesmo nível de crescimento atual.

Confesso que tenho uma opinião extremamente prática sobre o assunto: os números de crescimento da economia brasileira nos últimos 20 anos são suficientes para acreditar que, sim, avançamos consideravelmente nas questões econômicas. Mas, sim, poderíamos estar em patamares melhores. Ok, dentro de um contexto de crise que se arrasta por boa parte do mundo, conseguimos evoluir e apresentar a boa parte da população condições necessárias para acreditar no país.

A verdade é que concordo com aqueles que mostram o noticiário recheado de milhares de pessoas que são vítimas do mau atendimento público e se desesperam esperando atendimento no SUS; notícias de muitos brasileiros ainda desamparados pelo Estado, muitas vezes passando fome, também chamam minha atenção. Mas, se olharmos o Brasil de vinte anos atrás, é nítida a diferença: o desenvolvimento de nosso país tornou muita coisa possível.

E não é difícil descobrir qual é o grande e grave problema do Brasil: a corrupção. Dados preliminares apontam que, só em 2011, houve indícios de desvios que somam R$ 1,1 bilhão, em cinco ministérios investigados pela CGU (Controladoria Geral da União).

Para manter o exercício do tempo, imagine o transcorrer dos últimos 20 anos. Quanto de dinheiro público seguiu o caminho da corrupção em detrimento das reais necessidades do país? Pense adiante: mantendo o mesmo padrão nos próximos 20 anos, quanto ainda será desviado se continuarmos tolerando essas práticas?

O desenvolvimento da sociedade

Está mais do que claro que para chegarmos a níveis europeus de crescimento, a população brasileira precisa também crescer como sociedade organizada – isso para que tenhamos atitudes que nos dêem o direito de cobrar os governantes. Chega de ser o “país do jeitinho” ou da imagem malandra, de querer levar vantagem em tudo. Precisamos avançar.

Cabe lembrar que apesar do tamanho da economia – e da notícia de que ultrapassamos o Reino Unido –, a comparação do PIB per capita de nosso país e dos países europeus dá a dimensão do desafio que temos pela frente. O Reino Unido ocupa a 20ª posição, com US$ 32 mil de renda per capita, enquanto o Brasil está em 70º lugar, com renda anual de US$ 13 mil.

Se já crescemos, agora precisamos nos desenvolver, melhorar a renda da população e avançar com projetos sociais que garantam mais do que uma simples bolsa no final do mês. É preciso garantir que tenhamos uma nação composta por verdadeiros cidadãos, com direitos e deveres claros e amparados pelo Estado de uma forma inteligente e sustentável.

O Brasil avançou muito e encarou a crise de forma inteligente. Somos a sexta economia do mundo. O ano de 2011 terminou com excelentes notícias, mas também com desafios ainda maiores se considerarmos o potencial e a oportunidade que temos nas mãos. Torço para que 2012 seja um ano convincente no sentido de colocar o Brasil como uma realidade, não como uma aposta.

Até a próxima.

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09 jan

Negócios e oportunidades através de franquias

09 de janeiro de 2012

Ricardo Pereira

Hoje vamos conversar sobre o universo empresarial e empreendedorismo. É sem dúvidas um dos sistemas mais interessantes de negócios: o franchising ou sistema de franquias, que, tecnicamente falando, não é considerado um negócio ou uma indústria, mas um método de condução de negócios.

A utilização de um sistema de distribuição no qual um fornecedor concede à outra parte interessada o direito de comercializar seus produtos ou serviços, conforme termos e condições pré-estabelecidos em comum acordo, durante certo período de tempo, e numa área ou região especifica, sãos as principais características desse modelo de negócios.

Como surgiu a idéia de franchising?

Alguns historiadores afirmam que o conceito nasceu na idade média, quando a Igreja Católica passou a conceder licenças ou franquias a senhores de terras para que, em seu nome, coletassem impostos e taxas.

O franchising B2C (Business to Consumer), da maneira que hoje o conhecemos, surgiu em 1851, nos Estados Unidos, onde a fabricante de máquinas de costura Singer Sewing Machine Company decidiu conceder licenças para comerciantes independentes interessados na revenda de seus produtos.

Em 1898, a General Motors utilizou-se do sistema para expandir a rede de pontos de venda dos carros por ela produzidos. Era o inicio das chamadas concessionárias. Logo em seguida, em 1899, a Coca-Cola criou a primeira franquia de produção de que se tem noticia, concedendo licenças para empresários interessados em produzir e comercializar seus refrigerantes em áreas geográficas definidas por contratos, mais ou menos como acontece hoje.

A grande explosão do sistema aconteceu após o final da Segunda Guerra Mundial, quando milhares de americanos retornaram para os EUA determinados a abrir seus próprios negócios. No Brasil, as escolas de Inglês Yázigi e CCAA foram, nos anos 60, as primeiras marcas a experimentar o sistema. Entretanto, só a partir dos anos 80 vimos um incremento nos negócios.

Em 1987 foi criada a ABF (Associação Brasileira de Franchising) que institucionalmente contribuiu para a abertura do mercado na década de 1990, com um ambiente mais próspero e chegada de várias franquias internacionais.

Conceitos e linguagem de negócios utilizada

Business Format Franchising (BFF): Franquia de negócio formatado. Engloba todos os aspectos do funcionamento do sistema. Os procedimentos operacionais são colocados em manuais, de forma que o franqueado atue com todas as características da rede de franquias. Possui alto grau de profissionalização, sendo também chamado de franquia de terceira geração.

Circular de Oferta de Franquia (COF): Documento que o franqueador é obrigado, pela lei de franquias, a fornecer a todo candidato a franqueado. Contém várias informações sobre a franquia, a rede de franqueados e empresa franqueadora.

Contrato de Franquia: É o instrumento através do qual o franqueador, que é o titular da marca, patente industrial, comércio ou serviço, concede seu uso a outro empresário (franqueado), assim como o direito de distribuição, prestando-lhe assistência técnica e administrativa para a viabilização do negócio ou sistema operacional, detidos ou desenvolvidos pelo franqueador, mediante o pagamento de uma taxa inicial e/ou percentual sobre o volume dos negócios realizados pelo franqueado.

Conselho de Franqueados: Órgão de representação coletiva dos franqueados junto ao franqueador.

Master Franquia: Sistema pelo qual o franqueador concede a terceiros a direito de vender a sua marca em determinada região.

Pay Back: Prazo de amortização do investimento. Ou seja, o tempo que a franquia demora até obter, como lucro, o montante equivalente ao investimento inicial e à taxa de franquia.

Definição de Franquia Empresarial, de acordo com a Lei nº. 8.955/94:

“A Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de tecnologia de implantação e administração do negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatícios” (art.1º).

Como funciona o franchising?

É interessante notar que o franqueador não fornece ao franqueado apenas o direito de comercialização de seus produtos. Ele fornece também os seus segredos e seu método, que caracterizam seu know-how e modo de gerenciamento, normalmente em um setor geográfico pré-definido.

Por outro lado, o franqueado assume integralmente o financiamento da sua atividade e remunera o seu franqueador com uma porcentagem calculada sobre o volume dos negócios. A figura abaixo ilustra, de forma simplificada, o funcionamento de uma relação franqueador-franqueado:

Taxas cobradas pela franquia

Um dos aspectos de extrema relevância em qualquer tipo de negócio são as taxas envolvidas no processo. No caso do sistema de franquias, o empresário arcará com:

Taxa de Franquia: Valor pago pelo franqueado, na ocasião da assinatura do contrato, que serve para remunerar o franqueador pelo uso da marca, selando o ingresso em sua rede, repasse de know-how, manuais de operação, treinamento, assistência na divulgação da marca, assistência na escolha do ponto, projeto arquitetônico, adequação visual e assistência na inauguração.

Taxa de Royalties: Valor pago mensalmente e que equivale, em geral, a um percentual sobre o faturamento da franquia. Esta taxa diz respeito ao repasse de tecnologia e à prestação de serviços como treinamento, pesquisa, desenvolvimento de produtos e suporte operacional.

Taxa de Propaganda: Valor pago mensalmente e que equivale, em geral, a um percentual sobre o faturamento da franquia. Esta taxa refere-se à divulgação da marca e dos produtos e serviços oferecidos.

Vantagens do sistema de franquias

  • Marca conhecida e de boa reputação:

  • Aumento nas chances de sucesso, graças ao suporte que o sistema trás aos novos integrantes do negócio;

  • Existência de um plano de negócios;

  • Maior garantia de mercado;

  • Menores custos de Instalação;

  • Economia de escala;

  • Independência jurídica e financeira;

  • Maior lucratividade e retorno do investimento mais rápido;

  • Possibilidade de pesquisa e desenvolvimento.

Desvantagens do sistema de franquias

  • Pouca flexibilidade, o controle sobre as operações que são constantes e permanentes;

  • Autonomia parcial;

  • Risco de ocorrência de falhas no sistema;

  • Taxas pagas pelo franqueado;

  • Localização “forçada”.

De uma maneira geral, o sistema de franquias é uma opção interessante para quem pretende entrar no mundo dos negócios, especialmente se ainda falta certa experiência no ramo de interesse. Lembre-se que todo trabalho deve ser dotado de dois componentes básicos: produção e a felicidade. Produção porque você precisa fazer o que tem que ser feito e felicidade porque apaixonar-se pelo negócio e pelas pessoas é fundamental. Aproveitem o feriado e final de semana prolongado. Nos vemos novamente na próxima semana.

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